WASHINGTON – Dois navios de carga iranianos que transportam um ingrediente para propulsores de mísseis navegarão da China para o Irão nas próximas semanas, informou o Financial Times em 22 de Janeiro, citando informações de autoridades de segurança de dois países ocidentais.
O FT disse que os navios de bandeira iraniana, o Golbon e o Jairan, deverão transportar mais de 1.000 toneladas de perclorato de sódio, que é usado para produzir perclorato de amônio, o principal ingrediente do propelente sólido para mísseis.
O perclorato de amônio está entre os produtos químicos controlados pelo Regime de Controle de Exportação de Tecnologia de Mísseis, um órgão internacional voluntário antiproliferação, disse o FT.
Ele informou que duas autoridades disseram que o perclorato de sódio poderia produzir 960 toneladas de perclorato de amônio, o suficiente para produzir 1.300 toneladas de propelente, que poderia alimentar 260 mísseis iranianos de médio alcance.
O FT citou que os responsáveis afirmaram que o perclorato de sódio estava a ser enviado para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e que 34 contentores de seis metros contendo o produto químico foram carregados no Golbon, que partiu da ilha chinesa de Daishan em 21 de janeiro.
A empresa disse que o Jairan deverá partir da China com 22 contêineres no início de fevereiro. As autoridades disseram ao FT que ambos os navios, propriedade de entidades iranianas, deveriam fazer a viagem de três semanas ao Irão sem fazer qualquer escala no porto.
As autoridades disseram que os produtos químicos foram carregados no Golbon em Taicang, um porto ao norte de Xangai, e tinham como destino Bandar Abbas, no sul do Irã, no Golfo Pérsico, informou o FT.
O relatório disse que dados do rastreador de navios Marine Traffic mostraram que o Golbon passou pelo menos vários dias na ilha Daishan antes de partir em 21 de janeiro.
Ele disse que o Marine Traffic mostrou o Jairan a cerca de 75 km ao sul de Daishan, na costa de Ningbo, na província chinesa de Zhejiang, no início de 22 de janeiro.
O FT disse que as autoridades não poderiam dizer se Pequim tinha conhecimento dos carregamentos.
Em 2023, os Estados Unidos impuseram sanções a pessoas e entidades na China, Hong Kong e Irão, incluindo o adido de defesa do Irão em Pequim, sob acusações de que ajudaram a adquirir peças e tecnologia para intervenientes-chave no desenvolvimento de mísseis balísticos do Irão.
Em Julho de 2024, os EUA impuseram sanções a cinco indivíduos e sete entidades baseadas no Irão, na China e em Hong Kong, que acusou de serem facilitadores do programa de mísseis e drones do Irão. REUTERS
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o presidente russo, Vladimir Putin, participam de uma cerimônia de assinatura de documentos em Moscou, em 17 de janeiro.FOTO: REUTERS
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