JOANESBURGO – A elevada desigualdade torna o mundo vulnerável a pandemias, criando um ciclo vicioso que coloca em risco a saúde pública e a economia, afirmaram em 3 de Outubro importantes economistas, especialistas em saúde e as Nações Unidas (ONU).
As conclusões baseiam-se num estudo de dois anos realizado pelo Conselho Mundial sobre a Desigualdade, a SIDA e a Pandemia, convocado pela ONUSIDA, e publicado num relatório divulgado antes da cimeira do G20 deste mês na África do Sul.
“Elevados níveis de desigualdade dentro e entre países tornam o mundo mais vulnerável a pandemias, que são mais destrutivas economicamente, mais mortais e mais prolongadas”, afirma o relatório.
“A pandemia aumenta as desigualdades e promove relações cíclicas e que se auto-reforçam”, afirma o relatório.
O painel que produziu o relatório foi liderado por especialistas, incluindo o economista vencedor do Prémio Nobel Joseph Stiglitz, a ex-primeira-dama da Namíbia Monica Geingos e o eminente epidemiologista Sir Michael Marmot.
Este “ciclo de desigualdade-pandemia” também pode ser visto na recente crise global de saúde pública.
Covid-19 etc
SIDA, Ébola, gripe, mpox, disseram num comunicado.
“A incapacidade de abordar as principais desigualdades e determinantes sociais desde a COVID-19 deixou o mundo extremamente vulnerável e despreparado para a próxima pandemia”, afirma o relatório.
Afirmaram que a pandemia do coronavírus, em particular, “empurrou 165 milhões de pessoas para a pobreza, enquanto as pessoas mais ricas do mundo aumentaram a sua riqueza em mais de um quarto”.
Geingos disse num comunicado de imprensa que a desigualdade “é uma escolha política e uma escolha perigosa que ameaça a saúde de todos”.
O relatório apela aos líderes mundiais para que reforcem a sua preparação para uma pandemia, investindo em “mecanismos de protecção social” a nível interno, ao mesmo tempo que combatem a desigualdade global, nomeadamente através da reestruturação da dívida nos países em desenvolvimento.
“A pandemia não é apenas uma crise de saúde.
Crise económica que poderá aprofundar a desigualdade
“Se os líderes fizerem escolhas políticas erradas”, disse o professor Stiglitz.
“Os sistemas de saúde, educação e proteção social morrerão de fome, à medida que os esforços para estabilizar as economias atingidas pela pandemia forem feitos à custa de dívidas com juros elevados e de medidas de austeridade”, disse ele.
Isto tornou as sociedades menos resilientes e mais vulneráveis a surtos de doenças.
“Para quebrar este ciclo, precisamos de garantir que todos os países tenham espaço fiscal para investir na segurança sanitária”, afirmou o Professor Stiglitz.
O relatório também apela a um acesso mais igualitário aos tratamentos e à tecnologia médica entre países ricos e pobres, ao aumento do financiamento para a produção local e regional e à renúncia imediata da propriedade intelectual após a declaração de uma pandemia.
O Professor Stiglitz apresentará também um relatório sobre a desigualdade e a pobreza globais aos líderes mundiais antes da cimeira do G20, em 22 e 23 de Novembro.
O Grupo dos 20 (G-20) consiste em 19 grandes economias, a União Europeia e a União Africana. AFP


















