Tesouro Nacional reconhece mau estado das contas públicas No Brasil, um relatório do Tesouro Nacional prevê um rombo nas contas públicas até 2027. Os orçamentos públicos seguem uma regra básica, válida para todos os orçamentos. A receita é adicionada e os gastos obrigatórios são deduzidos. Se as despesas forem maiores do que o arrecadado, o resultado é um déficit. Ou seja, um buraco que vira dívida. O último relatório do Ministério das Finanças mostra que o governo não tem excedente depois de pagar as suas despesas, o que impediria o crescimento da dívida. Em julho de 2025, o governo projetou: défice de 0,2% em 2026. Mas, para 2026, o Ministério das Finanças chegou a projetar um excedente de 0,5% do PIB. Em relatório divulgado esta semana, o governo voltou atrás e agora prevê novamente uma violação. -0,2% do PIB em 2026 e também em 2027. O superávit só entrará, segundo estimativas, em 2028: 0,3%, valor abaixo do previsto anteriormente: 1%. A consequência imediata é um maior aumento da dívida pública. A previsão é de atingir 83,6% do PIB este ano. Um cenário ainda pior do que o apresentado em julho, quando o Tesouro estimou que a dívida pararia nos 83,6% do PIB em 2026. Se esta nova projeção se confirmar, será o nível mais elevado desde março de 2021, quando era de 81,5% do PIB. Quando o governo apresenta um défice, tem de contrair empréstimos para cobrir a diferença. E quem empresta ao governo cobra juros altos por isso. O que aumenta a cobrança de juros para empresas e pessoas físicas. Os economistas sublinham que sem ajuste de contas, sem redução de despesa, o saldo só pode ser aumento de receita, mais arrecadação. Ainda no documento, já pensando num cenário para os próximos dez anos, o governo diz que deve ser proposto o novo sistema de arrecadação, para que a receita seja condizente com o comportamento da despesa primária, que não inclui os juros da dívida. O economista Samuel Pessoa diz que as contas públicas estão numa trajetória alarmante e é necessário um ajuste. “O ajustamento fiscal pode ser feito através do aumento de impostos ou do corte da despesa pública, ou de uma combinação dos dois. A investigação mostra que é fundamental ter algum elemento de corte da despesa pública. Um ajustamento fiscal que se concentre exclusivamente no aumento de impostos torna a recuperação da economia mais difícil.”


















