CINGAPURA – A riqueza pessoal na Ásia deverá atingir 99 biliões de dólares (129 biliões de dólares) até 2029, mas muitas das famílias mais ricas da região não estão preparadas para entregar as suas crescentes fortunas, de acordo com um relatório de 11 de Novembro.
Quase metade dos detentores de riqueza de primeira geração na região não dispõe de um planeamento de sucessão ativo, de acordo com um estudo realizado pelo UOB Private Bank, pelo Boston Consulting Group e pela Universidade Nacional de Singapura.
Os resultados revelaram que muitas pessoas só fazem planos se estes forem inevitáveis, com 37% à espera de uma crise de saúde e 43% a agirem apenas se a situação empresarial assim o exigir.
O relatório alerta que o problema vai além da simples ameaça à riqueza familiar. Grande parte da riqueza da Ásia ainda está ligada a empresas lideradas por fundadores que empregam milhões de pessoas e ajudam a ancorar as economias regionais. A transferência caótica tem o potencial de congelar activos em disputas legais, fragmentar impérios familiares e desestabilizar empresas que cresceram rapidamente, mas que carecem das estruturas de governação que muitas dinastias ocidentais construíram ao longo de gerações.
A alternativa para uma sucessão tranquila é mais do que apenas um drama familiar. Esse é o potencial de perturbação do mercado na região rica que mais cresce no mundo.
“Imagine se você distribuísse a riqueza igualmente entre todos os seus filhos”, diz Ernest Saujana, chefe do Sudeste Asiático do Boston Consulting Group. “Depois de uma certa geração, a propriedade torna-se tão fragmentada que, do ponto de vista da governação, torna-se menos claro quem toma certas decisões de negócios.”
O relatório entrevistou 228 indivíduos com alto patrimônio líquido em sete mercados asiáticos. Dos 46 fundadores de empresas familiares, 91% disseram que queriam manter a liderança dentro da família, mas 28% disseram que não estavam interessados num sucessor e 24% disseram que o sucessor escolhido não estava pronto. Mais de um terço dos fundadores ainda tomam todas as decisões financeiras sozinhos e 28% não revelam as suas intenções a ninguém.
A riqueza pessoal na Ásia disparou de 6% do total mundial, há 25 anos, para 21% hoje, segundo dados do BCG. Singapura atraiu 765 mil milhões de dólares em fluxos de riqueza entre 2019 e 2024, enquanto Hong Kong atraiu 975 mil milhões de dólares. Mais de 80% disso vem da Ásia.
Mas os investigadores alertam que sem um melhor planeamento da sucessão, grande parte dessa riqueza poderá ser perdida devido a conflitos e transições pobres, arriscando-se a transformar a história de criação de riqueza na Ásia num sinal de alerta. Bloomberg


















