Pesquisa avalia saúde de golfinhos e aves e monitora doenças em Noronha Pesquisadores da ONG Som do Oceano e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciaram pesquisas em Fernando de Noronha para avaliar a saúde de golfinhos e aves (veja vídeo acima). A investigação irá também identificar doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos e investigar como as alterações ambientais afectam a fauna das ilhas. A pesquisa segue o conceito de saúde única, que considera a relação entre saúde humana, animal e ambiental. ✅ Receba notícias do g1 no WhatsApp Segundo Raul Rio, coordenador da ONG Som do Oceano, a pesquisa permitirá monitorar doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos. “Baseia-se no conceito de One Health. Não é só a saúde humana, mas também a saúde animal e ambiental que é importante. Vamos monitorizar doenças que podem ser transmitidas de animais para humanos e de humanos para animais”, disse. Pesquisadores usam proteção para evitar contaminação de amostras Ana Clara Marinho/TV Globo Raul Rio, também professor e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pesquisa Fernando de Noronha há cinco anos. Para esta pesquisa ele convidou a veterinária Martha Brandau, da Fiocruz. Pesquisadores estudam a circulação de microrganismos entre a Antártica e as Américas. Agora, a proposta é comparar os dados coletados em Noronha com os obtidos no continente Antártico. Os investigadores afirmam que as alterações climáticas podem facilitar o movimento de micróbios entre regiões do planeta. “Entender o que acontece nas regiões polares ajuda a entender o que pode acontecer em Fernando de Noronha. As ilhas reúnem pessoas, animais e plantas. Se o ambiente não for saudável, também pode afetar a saúde da população”, disse Raul Rio. Devido a esta relação, a investigação centra-se na observação de golfinhos e aves. Os pesquisadores também coletaram amostras de spray respiratório de golfinhos, fezes de pássaros e testes de swab usados ​​durante a pandemia de Covid-19. Martha Brando disse que golfinhos e pássaros podem compartilhar micróbios. “Vamos analisar as amostras para identificar o DNA de bactérias, vírus e outros organismos. Os golfinhos podem compartilhar esses microrganismos com as aves. É por isso que estudamos esses animais”, explica. As aves fazem parte do estudo de Fernando de Noronha Raúl Río/Som do Oceano Leia mais: Pesquisadores usam drones e concluem que os golfinhos de Fernando de Noronha são maiores do que a ciência sugere Entre as espécies analisadas estão aves marinhas e terrestres, como a cocoruta e o cebito, ameaçadas de extinção. Duas espécies são endêmicas de Fernando de Noronha, ou seja, existem apenas no arquipélago. Os pesquisadores disseram que a pesquisa também visa identificar quais microrganismos circulam entre as diferentes regiões do planeta. “Sabemos que a gripe aviária, por exemplo, saiu das Américas e chegou à Antártica. Queremos entender quais microrganismos circulam pelo oceano e podem ser transportados entre essas regiões”, disse Martha Brandão. Turismo A partir de 2021, Raúl Rio também estuda como o aumento do turismo afeta os golfinhos-rotadores de Fernando de Noronha. A pesquisa analisa sons emitidos por animais para detectar mudanças de comportamento. Em 2025, o Parque Nacional Marinho de Noronha recebeu 139.901 visitantes, o maior número já registrado no arquipélago. O número superou o limite anual de 132 mil visitantes previsto no acordo de gestão compartilhada entre os governos federal e estadual. O limite mensal de 11 mil turistas também foi ultrapassado em oito meses do ano. Para Raul Rio, o excesso de visitantes pode comprometer a saúde dos animais e o equilíbrio do meio ambiente. “A natureza funciona em equilíbrio. As ações humanas afetam os animais e também os humanos. O excesso de turistas e a pressão sobre os animais marinhos e terrestres têm um impacto negativo em todo o ecossistema”, afirmou Raul Rio. Os resultados da pesquisa serão enviados ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que apoia a pesquisa. Vídeo: Mais visto de Pernambuco nos últimos 7 dias. Archippa une pessoas, animais e plantas. Se o ambiente não for saudável, também pode afetar a saúde da população”, afirmou Raul Rio.

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