Qual é o risco real de a guerra se espalhar pela Europa? As crescentes previsões de um possível conflito aberto entre a Europa e a Rússia criaram uma atmosfera de apreensão no continente. Mas os riscos são reais? Ou é assustador? Estes receios são alimentados por repetidas previsões de conflito directo entre os países europeus e a Rússia. Na Alemanha, fala-se num risco para 2029 – embora esta data possa mudar. Estas projeções ganham força no contexto de aumentos significativos nos gastos com defesa no continente e no retorno do serviço militar obrigatório. ✅ Acompanhe o canal de notícias internacionais g1 no WhatsApp Ao mesmo tempo, declarações do governo dos EUA de Donald Trump sobre a possibilidade de anexar a Groenlândia — sem descartar agressões militares — elevaram o tom das tensões. O primeiro-ministro da Dinamarca diz que uma invasão de território significaria o fim da NATO. Apesar disso, a grande maioria dos americanos não apoia a acção militar no Árctico. A ideia encontrou resistência dentro do próprio Partido Republicano, tornando altamente improvável uma invasão da Groenlândia. Ainda assim, o momento é emocionante. Especialistas alertam para os perigos de analisar com base nos piores cenários – comuns entre militares, cuja função é prever e se preparar para os riscos. Embora tal avaliação seja importante, não ajuda necessariamente a avaliar o cenário mais provável e pode contribuir para espalhar o pânico. O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo – também conhecido como SIPRI – aponta para uma distorção recorrente: “Há uma tendência a superestimar a hostilidade do adversário e a subestimar como as nossas próprias ações afetam a percepção da ameaça”. Reflete a forma como a Rússia e a Europa se veem hoje. Esta distorção não é nova. Isto já foi descrito no livro de Robert Jarvis, “Perceptions and Misconceptions in International Politics”, publicado durante a Guerra Fria na década de 1970. No entanto, persiste na Europa a percepção de que um país da NATO poderá ser a próxima vítima do alegado expansionismo russo. Para Cipri, esse cenário é “altamente improvável”. O argumento central é o desequilíbrio militar regional: ao contrário do que acontecia durante a Guerra Fria, “o equilíbrio militar regional favorece esmagadoramente a NATO, cujas capacidades militares convencionais combinadas e despesas de defesa excedem em muito as da Rússia – mesmo excluindo os Estados Unidos”. O instituto, porém, destaca um risco que considera mais relevante neste momento e que tem sido esquecido: o crescimento acidental. Com o aumento das tensões e dos investimentos na defesa, assistimos cada vez mais a confrontos entre as forças russas e a NATO. No Mar Báltico, por exemplo, um caça russo entrou no espaço aéreo da Estónia durante 12 minutos. Em outro episódio, a Força Aérea Britânica interceptou 15 aeronaves russas em apenas seis dias: uma delas chegou a voar próximo a um navio da Marinha dos EUA. No Ártico, os Estados Unidos conduziram exercícios militares com bombardeiros B-52 perto das fronteiras da Finlândia e da Rússia. Estes são apenas alguns encontros. Uma situação pode facilmente ficar fora de controle se ocorrer um acidente. Nesta situação, os níveis de armamento são menos decisivos do que a existência de canais de comunicação eficazes entre os militares da Rússia, da Europa e dos Estados Unidos – precisamente para evitar uma escalada indesejada. Em suma, o risco de uma guerra em grande escala na Europa existe, mas é considerado improvável. Retórica bélica, previsões de situações extremas e tensões entre países que existem entre países.

Source link