
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou Jorge Mesias para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) após Luis Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria antecipada do tribunal. O atual procurador-geral da União, Jorge Rodrigo Araujo Mesias tem 45 anos e é natural de Pernambuco. Está no governo desde o início do terceiro governo Lula, em 2023 AGU Renato Menezes/AssocmAGU Conheça os destaques da carreira de Jorge Messias em sua estreia: ➡️ Tomou posse na AGU em 2023, no início do governo Lula. Antes mesmo de iniciar a nova gestão, já fazia parte da equipe de transição; ➡️ Funcionário público desde 2007, atuando em diversos órgãos executivos como Banco Central e BNDES; ➡️ É considerado um nome de confiança de Lula com apoio de ministros do PT e de filiais palacianas; ➡️ Dilma mantém uma relação próxima e de confiança com a Presidente desde o regime de Dilma Rousseff. ➡️Como Procurador-Geral da União, tem defendido as instituições democráticas, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF), contra ameaças do governo dos Estados Unidos liderado por Donald Trump; ➡️Lula também liderou ações judiciais relacionadas a questões consideradas estratégicas para o governo, como a defesa do decreto do IOF, sua revogação no Congresso e a regulamentação das redes sociais (veja abaixo). Atuação na AGU Desde que assumiu o comando da Advocacia-Geral da União (AGU), Messias tem desempenhado papel central na estratégia jurídica do governo Lula, assumindo a liderança em frentes consideradas sensíveis ao Planalto. No Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão do Congresso Nacional que suspendeu o Decreto Executivo que previa o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), caminha na tentativa de reverter. “As medidas adoptadas pelo Congresso violaram o princípio da separação de poderes”, afirmou Jorge Messias. Este sistema foi considerado fundamental para o encerramento das contas públicas governamentais. O caso gerou uma luta entre o governo e o Congresso sobre a separação de poderes e a autonomia do governo na condução da política fiscal. Após convocar o STF para se manifestar, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, decidiu manter quase todo o decreto governamental que aumenta o IOF. Regulação de redes e proteção da democracia Em janeiro deste ano, a AGU enviou uma notificação extrajudicial à Meta – empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp – para informar, em até 72 horas, como garantirá o cumprimento legal da obrigação de combater crimes como racismo e homofobia em sua plataforma. O anúncio foi a primeira resposta oficial do governo depois que a Meta anunciou que encerraria seu programa de verificação de fatos, que restringiu a disseminação de notícias falsas e restringiu discursos preconceituosos e de ódio, principalmente contra imigrantes, a população LGBTQIA+ e mulheres. A Meta respondeu, esclarecendo que a medida foi tomada apenas para a plataforma operar na região norte-americana. Messia também usou as redes sociais para defender a pauta. “É claro que este não é um país sem lei. Nosso sistema jurídico já fornece anticorpos contra distúrbios de informação. Portanto, não ficaremos de braços cruzados.” Lembre-se aqui. Visto cancelado Em julho deste ano, o ministro também disse em nota da AGU que o Brasil tomaria “todas as medidas cabíveis” para proteger sua soberania e instituições após as sanções dos EUA ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. Moraes e sua esposa foram sancionados com a Lei Magnisty, usada pelo governo dos EUA para punir estrangeiros. Na comunicação, a AGU classificou as sanções como “um ataque grave e inaceitável à soberania do nosso país”. Por conta de seu cargo, ele entrou para a lista de autoridades brasileiras cujos vistos norte-americanos foram revogados. “Diante desta agressão injustificada, reitero meu total compromisso com a independência constitucional do nosso sistema judiciário e saúdo sem medo as ações dirigidas contra mim em particular. Continuarei cumprindo meus deveres em nome e em nome do povo brasileiro e com consciência”, disse o ministro em nota. Conectando-se com os evangélicos, Messias participou de uma reunião entre Lula e lideranças evangélicas no Palácio do Planalto no dia 16 de outubro. O presidente Lula aceitou Jorge Mesias, considerado para uma vaga no STF, e alguns membros da bancada evangélica do Congresso de Dirigentes Evangélicos indicados para a vaga no Supremo Tribunal Federal do Palácio do Planalto Ricardo Stuckart/Presidência da República Mesias, incluindo parlamentares que não são membros oficiais. Aliás, o ministro já foi chamado em outros momentos pelo governo Lula para construir pontes com a bancada e a população evangélica. Em postagem nas redes sociais, Lula disse que o encontro foi “especial, cheio de emoção e confiança”. O Presidente disse que durante o encontro o pastor falou sobre o crescimento da Igreja Evangélica no país e o acolhimento dos fiéis. Lula relatou ter recebido presentes durante o encontro: edições douradas da Bíblia do Culto ao Ministro e da Glória do Centenário da Igreja. Orações também foram oferecidas na reunião. Carreira Graduado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), possui mestrado pela Universidade de Brasília (UnB). Ingressou na Advocacia-Geral da União como Procurador da Fazenda Nacional, com foco na cobrança de dívidas tributárias de contribuintes inadimplentes com sindicatos. Ao longo de sua carreira, ocupou diversos cargos estratégicos no poder executivo: foi Vice-Chefe de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, Secretário de Controle e Fiscalização do Ensino Superior do Ministério da Educação e Assessor Jurídico do Ministério da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Também atuou como advogado do Banco Central e do BNDES. Durante a transição e o governo Lula em 2022, fez parte da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Foi anunciado para comandar a AGU em dezembro daquele ano e assumiu o cargo em janeiro de 2023. A instituição tem papel central na assessoria jurídica à Presidência e na representação da União perante o Supremo Tribunal Federal. Durante o governo Dilma Rousseff, Mesias ocupou o cargo de Subchefe de Assuntos Jurídicos (SAJ). Tornou-se conhecido nacionalmente após seu nome ser citado em conversa entre Dilma e Lula interrompida pela Operação Lava Jato. Na gravação, seu nome foi ouvido como “Basius” devido à qualidade do áudio.


















