Mata Atlântica abre série especial sobre esperanças nos biomas brasileiros Faltando duas semanas para a conferência climática da ONU em Belém, o Journal Nacional apresentará iniciativas para restaurar os biomas do Brasil. Apontam para possíveis formas de enfrentar o desafio global da crise climática através da acção local. Nesta série especial de reportagens, Pedro Bassan e Lucas Cerezo partem da Mata Atlântica com sinais de esperança no ressurgimento do verde. Existe vida após o fim do mundo? Basta perguntar aos Maxaklies, porque o mundo já acabou para eles. Os xamãs se convencem disso toda vez que a flecha sai e não vai a lugar nenhum. Uma música evoca o Minas Parbat. Este é o canto do falcão, e que bela visão ele teria visto se estivesse lá. Mas o falcão já apareceu há algum tempo. Povo Maxakli da floresta, mas onde fica a floresta? “Quando eu era assim, via um pouquinho aqui. Mas quando cresci acabou”, diz João Bide Maxacli. “Antigamente existia e hoje não existe nada, nada. Só existe grama, cheia dela”, diz Roberto Maxcali. Na década de 1940, as terras indígenas começaram a ser demarcadas na fronteira entre Minas Gerais e Bahia. Mas foi apenas em 1999 que os agricultores ainda ocuparam a área. Há pelo menos 100 anos, as fazendas vêm destruindo a Mata Atlântica da região. Deixaram para trás grama, muita grama – o maior inimigo da floresta. Durante as chuvas, cresce muito rapidamente e sufoca a vegetação. Na seca, pode ser pior. “Essa grama queima com muita facilidade. E grama e fogo são uma combinação que é pura gasolina”, disse o brigadista voluntário Anderson de Freitas y Silva. Há dois anos, um grande incêndio destruiu 20% da região de Maxcali, chegando muito perto de muitas aldeias. A grama que cerca esta nação é perigo e pobreza. “Eu estava traduzindo um discurso do Maxacli e eles me perguntaram por que sempre falam: ’tá fatã, está fatã’. Aí eu expliquei: ’tá fatã’ é ‘Falta’, um empréstimo do português. Projeto Hamhi. A série especial Jornal Nacional/Reprodução do JN mostra os esforços do Brasil para restaurar biomas nesse período de prosperidade, quando os alimentos caíram do céu, vivendo em ritual. Canções de boas-vindas a dois morcegos, espíritos da natureza. Maxkalis cantam a vida toda. Contém mais de 300 horas de repertório com músicas sofisticadas e canções complexas. “O canto de um inseto que ficou preso entre dois galhos porque alguém esqueceu ali, foi pescar, e aí fica olhando o mundo lá embaixo e vendo como é o mundo embaixo, por exemplo. O que eles têm na imaginação é a descrição dessa floresta”, disse Rosangela di Tugni, coordenadora geral do projeto Hamhi. Se a escola e a natureza são uma só, porquê o muro? Na língua Maxakli os animais ocupam um lugar especial. Eles se manifestam na música e representam o sagrado. Mas hoje em dia não adianta chamar animais. Eles saíram com a floresta. Mesmo assim, seus nomes continuam a ser ensinados, na esperança de que um dia retornem. “Uma coisa comum quando os mexicanos vão a Belo Horizonte é pedir para ir ao zoológico. O zoológico é o único lugar onde eles podem ver diversas espécies que não encontram mais aqui, mas que viviam aqui na Mata Atlântica”, diz Roberto Romero. Os Maxcalis sentem falta de seus animais. Tanto que param na frente deles e cantam um para o outro. Mas e se os animais voltarem? Seria possível reconstruir a floresta? Os Maxcalis estão fazendo exatamente isso. E assim, uma árvore por vez, começaram a transformar a paisagem. Este é o projeto Hamhi, que significa “terra viva”. No que antes era um mar de grama, ilhas de árvores já faziam muita diferença. Em dois anos, Hamhi já deu muitos frutos – literalmente. Os aldeões são responsáveis ​​por tudo – plantar, cuidar e colher – e eles acreditam. O projeto é do Ministério Público de Minas Gerais. As multas ambientais tornam-se riqueza para quem acaricia a terra com as mãos. “Recuperar a dignidade dessas comunidades foi um objetivo institucional para nós. Temos que devolver o meio ambiente para cuidar delas. Eles acreditam que a restauração ecológica das comunidades em que vivem é suficiente para reiniciar o processo de dignidade em suas vidas”, disse Paulo de Tarso Morais Filho, procurador-geral de Justiça de MG. Os Maxkalis foram treinados e hoje são agentes de plantio, brigadistas e viveiristas. Santinha disse que as plantas são como crianças e os viveiros são o ventre da floresta. Mesmo com tanto trabalho, parece uma luta desigual. Um pequeno retângulo contra um enorme vazio. Eles farão isso? Existem muitas razões para acreditar nisso. E a principal delas é: a Maxxalira está no Brasil. O mesmo país que destruiu tantas florestas indígenas ao longo da história é hoje líder mundial em tecnologia para restaurar grandes áreas de floresta. Série especial do JN mostra esforços para restaurar os biomas do Brasil Jornal Nacional/Reprodução Bem-vindo ao Santuário da Natureza. Pronto para entrar em um parque nacional? Nada disso. É um portão de fazenda. Isso mesmo, a fazenda. Um lugar onde as pessoas plantam para obter lucro. Lá eles plantaram a Mata Atlântica. “É uma fazenda que era totalmente dedicada à pecuária e agora está totalmente dedicada à restauração ecológica. A mitigação climática financia a restauração florestal – e essa é a única atividade da fazenda”, afirma Bernardo Strasberg, fundador do IIS e da re.green. Era capim, virou fazenda florestal. Esses locais são cada vez mais comuns no Brasil. Só o projeto já plantou florestas em nove fazendas – três no sul da Bahia. A área total recuperada é de 17 mil hectares. Isso é cerca de três vezes a área da Maxcalis ali mesmo em Minas. “É importante que o Brasil perceba que somos fundamentais na questão das mudanças climáticas globais porque não há outro país onde possamos trabalhar na restauração ambiental como o Brasil”, disse Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP. Um grande país tem grandes planos. A meta nacional é restaurar 12 milhões de hectares até 2030, o que é três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro. O cientista ambiental Bernardo Strasberg lidera pesquisas na região onde o Brasil deu um salto tecnológico gigante. “O Brasil é líder na ciência da restauração ecológica nos trópicos. É uma tecnologia que começa com algoritmos que usam inteligência artificial para nos ajudar a identificar as melhores áreas para realizar projetos de restauração. Uma análise que envolve mais de 50 variáveis ​​de clima, solo e relevo. Antes demorava seis meses, agora leva 3 meses. Bernardo Estrasburgo. Novos saltos da escala de milhares para milhões de hectares Além da ciência, há outra mistério: dinheiro. Nos últimos anos, a restauração ambiental tornou-se tão lucrativa quanto é um negócio com venda de créditos de carbono. O produtor rural Caio Penido, presidente do Instituto Mato-Grossense da Carne, é parceiro do projeto. “Agora, acho que está chegando ao mercado. Chegou ao portão da fazenda. Estou certo de que será mais rentável do que a pecuária de baixa produtividade. Tudo está integrado: produção agrícola com carbono, biodiversidade, fauna, flora, água. Tudo faz parte do mesmo ecossistema”, uma propriedade não pode morar em outra área. O dinheiro vem principalmente de grandes empresas estrangeiras. Quando as pessoas vêm de fora, de países temperados, pensam que uma área como essa tem 15 anos, quando na verdade tem um ano e nove meses”, diz Bernardo. Maxakalis Jornal Nacional/ Reprodução Quem está nesta terra há muito tempo não se surpreende. não é ser mais bonito? Porque, pela primeira vez em muito tempo, amanhã será melhor que hoje. Animais que só cantavam estão começando a voltar. Com as árvores, o conhecimento do passado será valioso no futuro. Desde o nascimento, cada Maxkali carrega um pequeno pedaço da floresta. Agora, eles reconhecem a paisagem lá fora. Humhi: Aqueles que estão vivos hoje desde o fim do mundo têm certeza de que o mundo está vivo. Leia mais COP30 em Belém Existem 132 países com moradia garantida COP30 Dentro da Zona Azul: A área controlada pelas Nações Unidas em Belém

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