Bunia, República Democrática do Congo, 15 de Julho – A República Democrática do Congo criou um novo comité consultivo que inclui advogados especializados em crimes de guerra dos Estados Unidos e da Europa para ajudar a pressionar pela responsabilização pelas atrocidades cometidas no leste do país, assolado por conflitos.

A medida surge num momento em que o governo congolês prossegue uma campanha cada vez mais ambiciosa pela justiça internacional em relação aos combates, um conflito de décadas que envolve dezenas de grupos armados, competição por recursos minerais e que se estima ter deixado milhões de pessoas mortas.

O conflito no leste do Congo tem as suas raízes no rescaldo do genocídio de 1994 cometido pelo vizinho Ruanda. Após o genocídio, muitos perpetradores fugiram para o leste do Congo, alimentando um ciclo de violência que continua há décadas.

No mês passado, Kinshasa apresentou uma acção judicial junto do Tribunal Internacional de Justiça acusando o Ruanda de violar as convenções internacionais contra o genocídio, a discriminação racial e a tortura.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas do ano passado, o Presidente Felix Tshisekedi apelou ao reconhecimento do que chamou de “genocídio silencioso” no Congo e apelou a uma comissão internacional de inquérito para quebrar o “ciclo de impunidade”.

Os combates no leste do Congo intensificaram-se no ano passado, quando o grupo rebelde AFC/M23, que as Nações Unidas e os governos ocidentais dizem ser apoiado pelo Ruanda, ocupou grandes áreas do leste do Congo. Kigali nega apoiar os rebeldes.

Um novo conselho consultivo, conhecido como Conselho para a Investigação de Atrocidades na RDC, aconselhará as duas instituições nacionais do Congo que procuram o reconhecimento dos crimes e a indemnização das vítimas.

Será co-presidido pela activista congolesa dos direitos humanos Julienne Rusenge e por Howard Morrison, um advogado britânico e antigo juiz do Tribunal Penal Internacional e do Tribunal das Nações Unidas para a ex-Jugoslávia.

Outros membros incluem Stephen Rapp, um antigo embaixador dos crimes de guerra dos EUA que liderou a acusação do antigo presidente da Libéria, Charles Taylor, e Pascal Turan, um antigo alto funcionário do TPI que trabalhou no caso do Congo. Reuters

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