JUBA, 27 de Janeiro – O governo do Sudão do Sul apelou terça-feira aos rebeldes para cessarem os combates, dizendo que o avanço rebelde e os confrontos em curso que já causaram deslocamentos em massa no estado de Jonley poderiam reacender a guerra civil.
Os confrontos entre as forças governamentais e os combatentes leais ao rebelde Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA-IO) estão a ocorrer numa escala nunca vista desde 2017, segundo as Nações Unidas.
O governo disse que as suas tropas repeliram um avanço rebelde em Jonglei, que se estende desde a fronteira com a Etiópia até ao centro do Sudão do Sul.
“A operação de segurança em curso no estado de Jonglei, no norte do país, é uma medida legal e necessária que visa deter o avanço das forças rebeldes, restaurar a segurança e proteger os civis”, disse o ministro da Informação e porta-voz do governo, Atheni Wek Atheni, num comunicado.
“O governo apela ao SPLM/A da oposição para cessar imediatamente as hostilidades… Qualquer acção que prejudique o acordo[de 2018]constitui uma séria ameaça à paz e põe em perigo o processo de transição em curso”, acrescentou.
Os militares do Sudão do Sul ordenaram no domingo que todos os civis e funcionários da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) e outras organizações de caridade evacuassem três condados em Jonley antes das operações contra os rebeldes.
Um porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a missão partilhava a preocupação de que os combates pudessem colocar centenas de milhares de civis em risco.
“A missão também alerta que a escalada do discurso de ódio corre o risco de aumentar as tensões étnicas e arrastar as comunidades civis para o conflito”, disse o porta-voz.
A UNMISS disse no domingo que pelo menos 180 mil pessoas em Jonglei já haviam sido deslocadas pelos combates.
A guerra civil, que durou entre 2013 e 2018 entre as forças do Presidente Salva Kiir e as forças leais ao Vice-Presidente Riek Machar, foi travada principalmente devido a tensões étnicas e ceifou cerca de 400 mil vidas.
Machar está actualmente a ser julgado por traição depois de uma milícia étnica com ligações históricas ao SPLA-IO ter invadido uma base militar na cidade de Nasir, no nordeste do país, no ano passado.
Ele nega as acusações. Reuters


















