Combatendo um grande incêndio no Japão Centenas de pessoas em todo o Japão abriram nesta quinta-feira (18) uma ação judicial contra o governo exigindo indenização por sua inação diante das mudanças climáticas, disse o advogado que abriu a ação. “Apresentamos nossas ações e provas ao tribunal. Nosso recurso foi formalmente aceito para processamento”, disse à AFP o advogado Akihiro Shima, que argumenta que a inação do governo é inconstitucional. No apelo à acção, que tem cerca de 450 signatários, os advogados criticaram a acção “grosseiramente inadequada” do Japão face às alterações climáticas. Eles afirmam que as ondas de calor causam danos económicos, prejudicam as colheitas e expõem muitas pessoas. Os danos solicitados na ação são pequenos: apenas mil ienes, o equivalente a R$ 35, por autor. Segundo o seu advogado-chefe, o objetivo é “chamar a atenção para a questão da responsabilidade do país”, e não dinheiro. “As medidas do réu contra as alterações climáticas são manifestamente inadequadas e, como resultado, violam o direito do demandante de desfrutar de uma vida pacífica e de um clima estável”, afirmou um resumo do caso obtido pela AFP. Enquanto as pessoas caminham em um dia quente no distrito de Ueno, em Tóquio, no Japão, um deles, o produtor Kiichi Akiyama, diz que o calor significa que sua equipe tem que trabalhar mais devagar, criando uma “enorme perda” para sua empresa. “Tivemos casos em que pessoas desmaiaram no campo ou morreram ao voltar para casa. Mal consigo cavar com uma pá durante 10 minutos sem descansar. Se o governo tivesse tomado mais iniciativas para adotar a política climática, não estaríamos nesta situação terrível”, critica o japonês de 57 anos. O Japão sofreu o verão mais quente deste ano desde que os registos começaram em 1898. Antes do anúncio do processo na quinta-feira, cinco outros processos relacionados com o clima foram apresentados em tribunais japoneses, incluindo um contra uma central elétrica a carvão. No entanto, de acordo com Masako Ichihara, professor da Universidade de Quioto, que acompanha as ações judiciais em todo o país e os advogados envolvidos, este é o primeiro passo para procurar uma compensação do Estado pelas alterações climáticas. A porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, não comentou o processo, mas destacou que o Japão aprovou metas “ambiciosas” de redução de emissões, em linha com a meta de 1,5°C do Acordo de Paris. O Japão estabeleceu metas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 60% até 2035 e 73% até 2040, em comparação com os níveis de 2013.

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