Bangui, 5 de Janeiro – O Presidente da República Centro-Africana, Faustin-Archange Touadera, obteve maioria absoluta nas eleições presidenciais de 28 de Dezembro e foi empossado para um terceiro mandato, mostraram resultados provisórios da Comissão Eleitoral na segunda-feira.
O matemático de 68 anos, que assumiu o poder há 10 anos, procurava a reeleição para um terceiro mandato depois de os limites do mandato presidencial terem sido abolidos num referendo constitucional de 2023.
Ele recrutou a ajuda de mercenários russos e soldados ruandeses para fazer campanha contra o histórico de segurança cronicamente instável do país. Ele também assinou acordos de paz com vários grupos rebeldes este ano.
De acordo com os resultados anunciados na noite de segunda-feira pelo principal responsável eleitoral do país, Matthias Morouba, Touadera obteve 76,15% dos votos, seguido pela ex-primeira-ministra Anisette-Georges Droeglu com 14,66% e pelo ex-primeiro-ministro Henri-Marie Dondras com 3,19%.
Morouba disse que a participação foi de 52,42%.
A principal coligação da oposição, conhecida pela sigla francesa BRDC, boicotou as eleições, dizendo que eram injustas.
Mesmo antes de os resultados serem anunciados, Droglu e Dondra questionavam a sua credibilidade e realizavam conferências de imprensa separadas denunciando o que chamavam de fraude eleitoral.
Droglu, vice-campeão nas eleições de 2020, disse em entrevista coletiva na sexta-feira que houve uma “tentativa coordenada” de manipulação dos resultados.
“Os povos da África Central reuniram-se em 28 de dezembro”, disse Droglu. “Eles expressaram um desejo claro de mudança.”
O governo Touadera nega qualquer irregularidade.
O Tribunal Constitucional tem até 20 de janeiro para decidir sobre o desafio e declarar o resultado final.
Aliados da Rússia para manter o poder
Uma vitória de Touadera beneficiaria ainda mais a Rússia, que obteve acesso a recursos como ouro e diamantes em troca de ajuda à segurança.
Mas Touadera também manifestou interesse renovado em parcerias com países ocidentais, dizendo que acolheria com agrado qualquer país disposto a desenvolver as reservas de lítio, urânio e ouro da República Centro-Africana.
Os partidos da oposição dizem que um referendo em 2023 sobre a prorrogação do seu mandato por 20 anos é uma prova de que ele quer permanecer presidente vitalício.
Não houve relatos de grandes perturbações durante a votação de 28 de Dezembro, o que representou um forte contraste com as eleições anteriores em 2020, quando os rebeldes impediram a abertura de centenas de assembleias de voto.
Mas os analistas alertam que a segurança de Touadera continua fraca.
“Os grupos armados não desapareceram; apenas se tornaram mais organizados”, disse Natalia Dukan, analista da África Central na Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional.
Dukan disse que alguns dos líderes do grupo armado conseguiram empregos públicos depois de assinarem acordos de paz com Touadera.
“Mas se decidirem que o sistema não serve os seus interesses, as coisas poderão tomar um rumo dramático”, acrescentou.
O controlo de Touadera sobre as instituições estatais e os recursos financeiros superiores fizeram dele o favorito antes da votação. Reuters


















