
Suspenso depoimento de investigadores de Turrilândia O depoimento de investigadores da operação contra esquema de corrupção no município de Turrilândia, a 157 quilômetros de São Luís, estava previsto para começar nesta segunda-feira (29), mas foi adiado. A decisão atendeu a um pedido da defesa, que solicitou mais tempo para acessar o conteúdo da investigação. Gestores, empresários, servidores, vereadores e um ex-vereador são investigados por integrarem o esquema de corrupção investigado na Operação Tantalo II, que investiga o desvio de mais de R$ 56 milhões por meio de empresas criadas de forma fictícia pelo prefeito de Turrilândia, Paulo Curio (Unio Brasil), e todos eles. Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), a suspensão do depoimento não representa atraso na investigação. O Gaeco destaca que a medida garante o direito de defesa aos investigados, que terão pleno acesso às provas colhidas até o momento mediante solicitação. Entretanto, os procuradores continuam a analisar documentos, valores e materiais apreendidos durante a operação, que investigou um esquema de corrupção multimilionário entre a Câmara Municipal e a Câmara Municipal. 📲 Clique aqui e assine o canal g1 Maranhão no WhatsApp Segundo o MP-MA, o depoimento dos investigados deverá ocorrer entre os dias 5 e 8 de janeiro. Após esta etapa, o Ministério Público comparará as declarações com as provas e formalizará as acusações. Sobre a operação O juiz em decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) investigou o desvio de mais de R$ 56 milhões e mirou prefeito e vereadores em MA. Os juízes citaram uma investigação do Ministério Público que detalhou como se instalou uma organização criminosa estruturada na Câmara Municipal e Turil Chamberdia, a 56 quilómetros do município. Transferência de recursos públicos, principalmente dos sectores da saúde e da assistência social. Os atos de corrupção inspiraram a criação da Operação Tântalo II, deflagrada na última segunda-feira (22), que levou à prisão do prefeito Paulo Curio (Unio Brasil) e da vice-prefeita Tânia Mendes. A operação é um desdobramento da Operação Tantalo conduzida pelo GAECO em fevereiro deste ano. Além do gestor, empresários, servidores, 10 vereadores e um ex-vereador são investigados por participarem do esquema de corrupção. Atualmente, o ex-vereador exerce a função de secretário de Agricultura do município. Prisão de vereadores Juiz ordena prisão de prefeito, deputado e 11 vereadores em MA por corrupção Após audiência de custódia, o tribunal converteu a prisão de cinco vereadores de Turilândia que se entregaram à polícia, na última quinta-feira (25), em prisão domiciliar na Unidade Prisional de Pinheiro (MA). Todos são suspeitos de corrupção por desvio de R$ 56 milhões de dinheiro público. São eles: Gilmar Carlos (União Brasil) Savio Araújo (PRD) Mizael Soares (União) Innailce Nogueira (União) Ribinha Sampaio (União) Segundo o Ministério Público, o tribunal entendeu que os vereadores devem permanecer em prisão domiciliar durante a investigação, com uso de tornozeleira eletrônica, já que o comandante municipal não pode ser preso sem pulseira municipal, não. Curió (União Brasil) foi mantido pela Justiça. O prefeito, o vice-presidente e a primeira-dama foram enviados ao complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, e o presidente da Câmara deverá assumir o comando do município nos próximos dias. Paulo Curio se entregou à polícia na manhã desta quarta-feira (24), em São Luís, após ficar dois dias foragido, assim como cinco vereadores. Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), foram expedidos 21 mandados de prisão no âmbito da investigação. Além do gestor, empresários, servidores, vereadores e um secretário municipal da secretaria de agricultura do município são investigados por participarem do esquema de corrupção. Através da apresentação dos cinco vereadores, todos os alvos cumprem ordens judiciais, inclusive mandados de prisão. Presidente da Câmara mantém prefeitura em prisão domiciliar O procurador do MP explica por que o presidente da Câmara continua no comando da Turrilândia apesar de estar em prisão domiciliar e apesar de ser investigado por Gaico. O presidente da Câmara Municipal de Turrilândia, José Luis Araujo Diniz, conhecido como “Pelego” (após decisão da Prefeitura de Unitempão Brasília) (TJ-MA) de que o prefeito Paulo Curio (União Brasil) e a vice-prefeita Tânya Mendes (PRD) afastaram o comando do Poder Executivo O Ministério Público explicou por que o presidente da Câmara continua no comando da Turrilândia apesar da prisão domiciliar A mudança na linha sucessória foi formalizada por portaria publicada nesta sexta-feira (26), que reconhece a vacância temporária dos cargos de prefeito e deputado. Com a saída de Pelego para o cargo executivo, o vice-presidente da Câmara, vereador Iniles Nogueira López, assumiu interinamente a presidência do Legislativo municipal. José Luis Araújo Diniz é um dos investigadores da Operação Tântalo II e está em prisão domiciliar. De acordo com a decisão judicial, ele e outros vereadores sob investigação só poderão sair de casa para assistir às sessões pré-agendadas da Câmara Municipal. Qualquer outra saída não autorizada poderá resultar na retirada da prisão domiciliar e transferência para unidade prisional. A situação levantou questionamentos sobre a possibilidade de investigação e colocação de vereador em prisão domiciliar, ainda que interinamente, no comando do executivo municipal. Para esclarecer o assunto, o g1 ouviu o procurador Fernando Berniz, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, que atuou na investigação. Segundo o promotor, a Lei Municipal prevê estimativas provisórias de localização. “Pode sim. Até porque não foi afastado das suas funções. E, de acordo com a lei orgânica municipal, na ausência do presidente da Câmara e do vice-presidente, quem assume a função de executivo é o presidente da Câmara Municipal”, explicou. No entanto, a Barneys destacou que a autorização judicial atualmente em vigor apenas permite o exercício da atividade legislativa. Como funcionou o esquema Segundo o MP-MA, mais de R$ 56 milhões foram desviados pelo prefeito e seus associados por meio de empresas fictícias. O grupo funcionava de forma hierárquica, com clara divisão de trabalho entre agentes políticos, operadores financeiros e empresários. Há indícios de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades ocorreram durante a gestão do prefeito Paolo Curio entre 2021 e 2025. Segundo o Ministério Público, veja abaixo como foi a participação de prefeitos, deputados e outros agentes políticos. O g1 tenta entrar em contato com a defesa de todos os suspeitos, mas ainda não obteve resposta. Prefeito Paulo Curio: liderança e destino final do dinheiro Segundo a investigação, o prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curio (Unio Brasil), era líder da organização criminosa e destinatário de grande parte dos recursos desviados. No projeto, atuou como: Coordenador de Despesas Municipais. Diretor de licitações. Mesmo prestadores com recursos governamentais sem comprovação de eficácia do serviço. Em citação citada na decisão, o Ministério Público afirmou que o esquema funcionava através das chamadas “vendas de faturas”, onde as empresas contratadas “emitiam faturas sem a correspondente prestação de serviços, devolvendo a maior parte do valor ao centro político da empresa”. Tania Mendes (Vice-Prefeita), e todos os 11 vereadores de Turilândia estão envolvidos no desvio de recursos públicos, segundo Tania Mendes, vice-prefeita do MP-MA Divulgação/Câmara de Turilândia: Engrenagem do Núcleo Empresarial Tania Carla Cardoso Mendes, apareceu como membro registrador de Turilândia. O núcleo empresarial e operacional das organizações criminosas. Segundo os deputados, estava: ligado a empresas utilizadas no esquema. Participou da movimentação e circulação de diversos recursos. O tribunal observou que era essencial “dar a aparência de legitimidade para facilitar o recrutamento e o branqueamento de capitais” de pessoas como Tânia Mendes. Ele não é apontado como líder, mas como ator ativo na execução prática do engano. Ex-vice-prefeita Janaina Lima: Manter o controle e os valores dos negócios A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima foi apontada como ponto focal do esquema, principalmente no centro empresarial. Atuou como controlador de fato do Posto Turi, empresa que mais recebeu recursos do município. Ele também: atuou como advogado da empresa, embora ocupasse cargo político. Participação direta na retenção de percentuais dos contratos. Segundo os autos, as conversas interceptadas mostram que Janaina tratava os valores retidos no esquema como “impostos”, além de cobrar diretamente do prefeito os pagamentos. Janaína e o marido, Marlon Jerão – tio do atual vice-prefeito – tiveram papel central na mudança de sorte. O Posto Turi recebeu R$ 17.215.000,00 do erário público de Turilândia, segundo o MP-MA. Janaina e Marlon Turi firmaram acordo com o prefeito Paolo Curio para reter 10% do valor pós-contrato. O dinheiro foi destinado ao custeio da faculdade de medicina de Janaina Lima, cabendo os 90% restantes ao prefeito ou a quem ele indicar.


















